Fiat Ducato Maxi Apresenta: Pneu Furado.

Um furo num pneu é sempre inoportuno e sem duvida aborrecido.
Deparado com a inesperada situação de ter que mudar um pneu, eu, pessoalmente, tento controlar a fraseologia que o meu cérebro me obriga a partilhar (em voz alta) com quem esteja ao meu lado, mas nem sempre me e’ possível.
Depois de “compartilhar” o que me vai na alma, normalmente, é observado por mim um momento de silêncio no qual sou brutalmente ameaçado pela ideia, de que, talvez, o pneu sobresselente esteja vazio.
Como qualquer outro condutor já mudei muitas vezes pneus furados nos carros e carrinhas que conduzi, mas, nada até a data, me tinha preparado para o que me aconteceu, no outro dia, quando conduzia a minha Autocaravana numa Auto-estrada, aqui em Sydney, em direcção a minha casa.
Vinha sozinho e por sorte não vinha a ouvir musica. Ouvi um som estranho e logo conclui que era um pneu a esvaziar rapidamente, tão rapidamente que me vi obrigado a parar logo ali, com parte da Autocaravana ainda dentro da via rodoviária.

Contente com o facto de não me ter despistado ou coisa semelhante, não me dei ao trabalho de citar palavras ou frases inexistentes no dicionário (afinal não havia ninguém com quem as partilhar) e logo fui assombrado pela vergonhosa realidade de que não sabia exactamente onde o pneu sobresselente se encontrava alojado.
Claro que só poderia estar por baixo da Autocaravana e lá o encontrei, muito bem escondido pelo tanque de águas cinzentas e toda aquela parte da suspensão traseira da carrinha.
Depois de “lutar” com a tampa onde as ferramentas da Fiat Ducato estão alojadas (se alguém já tentou abrir esta tampa, entende o que estou a dizer), fui ao livro ver onde se coloca o macaco para levantar a Autocaravana, e assim mudar o pneu.
A primeira coisa que fiz foi descer o pneu sobressalente. Não é a coisa mais pratica que já vi pois não se vê o que se está a fazer, mas tudo bem o pneu desceu até ao chão.
Tudo bem, pensei eu. Agora o pneu está a mais de um metro de distancia debaixo da Autocaravana e (acreditem que tentei) não encontrei outra maneira de lhe chegar senão a de me deitar no chão, rastejar até onde foi possível agarrar no pneu e...sim agarrar, mas onde?
Mesmo usando toda a minha força e habilidade não me foi possível apanhar um sitio onde me desse a possibilidade de arrastar o pneu um pouco até a mim, para que assim pudesse desencaixar o fio de aço que o levanta e desce do sitio onde é arrumado.
Por esta altura, tão pouco imaginava como funcionava aquele sistema, e como não via a peça que segura o pneu ao cabo, tive que (ainda deitado no chão) apalpar a jante por dentro até encontrar algo que desencaixasse ou desapertasse.
Percebi que tinha algo de desenroscar e de imediato aquela peça plástica com rosca saiu.
Consegui levantar um lado do pneu com uma mão e com outra tentava desprender outra parte metálica que teimava em segurar o pneu e não saia de maneira nenhuma.
Deitado no chão, todo “borrado”, com as mãos arranhadas e a suar por todos os lados, estava, por esta altura, a dar total liberdade de expressão, á fraseologia escolhida pelo meu cérebro para “falar” através os meus dentes cerrados.
E foi já muito perto de ter esgotado o meu reportório de argumentação com a dita peça, que como que por magia, ela se desencaixou e passou pelo meio da jante, oferecendo a esta a tão esperada e, por mim desejada, carta de alforria.
Agora tinha o pneu sobresselente solto do elevador e a única passagem deste para o lado de fora da Autocaravana é pelo espaço que se cria levantando a viatura e retirando o pneu furado.
Claro que, como e’ habitual, uma das porcas que seguram a jante do pneu furado não queria sair.
Não sou pessoa desabituada a usar os músculos (faço-o todos os dias no meu trabalho), nunca eu imaginei que toda a minha força fosse capaz de torcer a chave de tubo que desaperta (era suposto desapertar) as porcas da jante sem, no entanto, desapertar a dita cuja... que lindo, pensei eu. E agora?
Fez-se luz no meu escurecido cérebro quando me lembrei que a Fiat oferece (pelo menos aqui na Austrália) três anos de assistência gratuita na rua. Com o “abençoado” telemóvel liguei para o número que vi no panfleto, expliquei a situação e só tive que esperar 45 minutos até ver o carro da salvação.
Sem pagar bilhete, era agora espectador do filme em que, há uma hora atrás, fora protagonista.
Incrédulo, via que o mecânico tão pouco conseguia desapertar a tal dita porca com a sua chave “profissional” de rodas em cruz. Foi então buscar um tubo com cerca de 80 cm de comprido para servir de alavanca e “pendurado” no tubo com o seu peso, lá conseguir desapertar a dita cuja.
O macaco de tesoura que vem com a viatura não parece muito forte e avisa para ninguém se meter debaixo da mesma...então como é que se muda o pneu? Como é que um homem chega ao pneu que substituí o furado? Metendo-se debaixo da Autocaravana, que foi exactamente o que o mecânico teve que fazer.
Sentado no chão com o pneu sobressalente entre as pernas, o desgraçado do mecânico elevava-o na tentativa de o encaixar nos pernos roscados. O peso da jante combinado com a necessidade de a alinhar na posição “secreta” dos pernos, tornou esta simples tarefa num verdadeiro pesadelo.
Sucesso foi obtido após várias tentativas frustradas. Aposto que, por esta altura, o mecânico estava já seriamente a pensar em mudar de profissão.
Depois de andar á “porrada” com o sistema de levantar o pneu furado para o seu sítio de pneu sobresselente, o mecânico estava finalmente livre para sonhar com um mundo onde não hajam Fiats Ducato, e eu, pronto a viajar para casa.
O pneu retirado (com 23.00kms) tem um furo que cabe um dedo, (estou para saber como tal aconteceu) por isso tem que ser substituído por um novo. Depois de telefonar para vários sítios, o melhor preço que consegui foi 300 dólares (152.00 Euros).
Passados dois dias lá fui substituir o pneu furado. Não foi nada que não tivesse visto antes, pena foi não ter levado comigo Pipocas e Coca-Cola para assistir novamente a este filme. Aqui os especialistas dos pneus, também se viram aflitos para terminar a simples tarefa de mudar um pneu.

Reparem no equipamento necessário, para um profissional mudar um simples pneu. Como é que um "homem" poderá fazer isto sozinho deitado na Auto-Estrada?


Uma hora e 190 Euros depois, estava a caminho de casa com um pneu novo e direcção alinhada.

Mudar um pneu numa Fiat Ducato Maxi, é uma experiencia que não desejo ao meu pior inimigo, mas se tiver que ser, prefiro que não me aconteça a mim.

GMC Motorhomes - GMC Autocaravanas.

http://danandteri.blogspot.com/



Gostaria de partilhar aqui uma das minhas grandes paixões: Autocaravanas em chassis de camionetas.
Gosto particularmente destes modelos antigos GMC .
Visitem este blog do meu contacto Dan Gregg, na América, onde podem ver uma boa colecção de fotografias destas belezas (22Fev09).
Amanhã ele vai viajar para a fronteira Mexicana, (Mexican border on way back to eastern Az.)
Todas as fotos neste blog foram autorizadas por Dann.
Aqui fica a hiperligação para o seguir na viagem amanhã, através do GPS com sistema de localização http://aprs.fi/?call=WD0AFQ introduzir: WD0AFQ no: Callsign or nickname:


It would like to share one of my passions: Motorhomes built on full size Buses.
I like particularly those old models from GMC.
Visit the blog of one of my contacts in America, Dan Gregg, where you will see a good photo collection of some very nice “oldies”.
Tomorrow (23Fev09) he’ll travel for the Mexican border, (on way back to eastern Az.).
Here is the link if you want to follow them tomorrow through his GPS with tracking system:
Dann gave me Authorization to show these pictures.
http://aprs.fi/?call=WD0AFQ
Introduce: WD0AFQ in: Call sign or nickname:
Thanks Dann
Jose Rebelo.


Pernoitar dentro da Autocaravana "na rua".



Sou maior e vacinado, por isso não tenho vergonha nem medo de confessar: Sou uma daquelas pessoas que foge dos Parques de Campismo sempre que pode. Além disso, gosto de ser sincero, daí que, em vez de inventar desculpas para tal fobia, digo muito frontalmente, a primeira e sem dúvida a maior razão para tal é o elevado custo dos mesmos.
Sim, todos sabemos que os Parques de Campismo existem como se de um outro qualquer negócio se trata-se, por isso quanto mais puderam “extrair” da minha esquelética carteira melhor (para eles). Não quer dizer que não os use, quando estou por fora mais que duas semanas, não tenho outra alternativa.
Como somos quatro elementos nestas nossas aventuras, todas as vezes que entro num Parque de Campismo, comparo a experiência com a ida repetida ao cinema para ver o mesmo filme: “Tudo o vento levou”, neste caso, “ Todas as notas o Parque levou”.
Não vejo motivo para os usar mais que o estritamente necessário, acho que toda a confusão e perda de tempo que é o assinar de papéis, pagar, e encontrar o sítio a que temos direito, são momentos em que sinto a minha liberdade ser condicionada pelas leis do dito Parque e principalmente, pelos arames ou muros que demarcar os seus limites.
Nesta vida de Autocaravanista, a responsabilidade pela segurança da família cabe ao chefe de família que, neste caso, sou EU.
Dormir fora de Parques de Campismo tem as suas conveniências (aquelas que todos sabemos) e também tem os seus problemas (por vezes mais valia não saber).
Um Autocaravanista deve estar preparado para “o que der e vier” quando dorme “por fora”, seja com ou sem a sua esposa...
Aqui na Austrália é muito raro ter outra Autocaravana perto de mim, normalmente a minha é a única viatura a pernoitar naquela zona.
Em caso de as coisas se tornarem azedas no recanto escolhido para dormir, eu tenho um plano, o chamado “Plano de retirada José Rebelo”.
Não sou diferente de muitos homens de barba rija que fazem Autocaravanismo, por isso, tal e qual outros, a intenção de ser um dia ser proclamado “herói” é uma constante na minha vida. Mas, devo confessar, se realmente as coisas azedarem, eu sou o primeiro a me pirar...
O plano que em seguido descrevo, exige da parte do “chefe” método e disciplina militar.
Aqui fica a minha lista de procedimentos “Antes de ir para a cama” para que seja possível aplicar o “Plano de retirada José Rebelo”.
1-Estacionar de maneira a poder sair para a frente.
A maior parte das pessoas conduz melhor para a frente do que em marcha atrás.
2-Lavar os dentes.
Pela simples razão de que se a fuga não for bem sucedida, não termos que passar pela experiência de aparecer na “SIC” com um bocado de couve pendurado nos dentes da frente.
3-Fechar as portas (todas).
Parece óbvio, mas vezes sem conta, vou dar com as portas da cabine destravadas.
Antes de as travar, deve-se (na minha, e aqui apenas pessoal, opinião) certificar que a esposa está na parte de dentro da Autocaravana.
4-A chave de ignição deve estar muito perto da mesma, melhor ainda, na própria ignição. Isto por razões óbvias...
No caso de o gatuno entrar na viatura, não vai ter que bater em ninguém para encontrar as chaves, desta forma um homem só tem que se manter calado e ter a sorte que o gatuno nos leve para um sitio que ainda não conhecíamos.
Uma forma de desmoralizar qualquer gatuno, será ameaça-lo com a obrigação de despejar a sanita... ou com uma decalcomania na parte exterior da Autocaravana a dizer: Cuidado! Sogra no interior.
5-Baixar a antena (da Televisão)
A cama não foi feita para ver televisão, aliás, na realidade a cama foi inventada, e teve muito sucesso, naqueles tempos em que não havia televisão.
6- A louça deve ser lavada e arrumada nos devidos lugares.
A melhor maneira para evitar esta dor de cabeça, que é lavar a louça dentro de uma Autocaravana, na minha humilde opinião é: pedir à esposa que o faça ou, melhor ainda, ir comer fora.
7-Dormir em pijama.
Uma boa ideia será usar pijama de seda, este material é bastante “escorregadio” por isso, só tem vantagens quando um homem tem que “escorregar” para fora da cama em tempo recorde.
A outra razão é: nestes tempos que correm, “nem tudo que parece é”, por isso não é garantido que o gatuno seja um “macho latino”. Aqui na Austrália são altas as probabilidades de ser assaltado por “algo “ diferente. A última coisa que eu quero, é ser visto em cuecas por alguém “tão sensível”.
Conclusão:
Não existe melhor sensação do que o sentimento de liberdade que é acordar rodeado de sons da natureza. “Dormir na rua” é uma arte. Com o passar dos tempos a avaliação e eleição das zonas a pernoitar, torna-se mais apurada. Erros serão cometidos, mas como tudo na vida é com os erros que se aprende.
Por isso tem que se evitar pernoitar:
· Em ruas sem saída, ou/e sem luz.
· Perto de bares que fecham a altas horas da madrugada.
· Discotecas e zonas onde os jovens se reúnem para beber, fumar.
· Zonas com amplas áreas de terra batida, são propicias aos tolinhos dos carros “kitados” (desenhadores de donuts no chão), estes gostam de afiar os pneus depois da uma da manhã.
· Debaixo de árvores.
· Perto de auto-estradas.
· Recintos onde no dia a seguir é “dia de Feira”.
Para manter uma imagem própria de Autocaravanista deve-se:
· Não estacionar atravessado a ocupar 3 lugares
· Não estacionar tapando a visibilidade de lojas comerciais, e monumentos.
· Usar (sem abusar) de forma democrática o espaço físico existente em frente às zonas mais concorridas.
· Não sair da Autocaravana em pijama ou camisa de noite.
Para alguém que não tem Autocaravana, ver grandes grupos de Autocaravanas, provoca aquilo a que se pode chamar o sindroma de “Nós e Eles”, pelo que, a popularidade destas viaturas provoca maus olhares contra os donos das mesmas.
Já sei que legalmente as Autocaravanas podem (na maior parte das zonas) estar estacionadas, mas cabe a nós usar o chamado “Bom Senso” tornando o usufruto da mesma agradável para nós e não ofensivo para os outros.
José Rebelo

Fogos em Vitoria, Austrália.

7 FEV2009,

Estas duas letras que estou agora a escrever, serão ditadas pela tristeza que neste momento sinto devido aos acontecimentos trágicos, deste fim-de-semana, aqui na Austrália.
Estou a falar das altas temperaturas que aqui se fizeram sentir nas últimas duas semanas.
Para os lados de Victoria (um dos Estados da Austrália) as temperaturas subiram acima dos 43 graus, e como seria de esperar o fogo não tardou a marcar presença.
A grandeza, a ferocidade e velocidade com que tudo aconteceu, originou uma catástrofe nunca antes vista, nesta Austrália.
Não consigo imaginar que há um mês atrás, eu e a minha família estávamos a desfrutar de umas férias maravilhosas naquelas terras.
Sinto que mais uma vez tivemos sorte de não estar no sítio errado no dia errado, e por isso estou a celebrar e a agradecer a Deus, a oportunidade que nos foi concedida de continuar, todos os dias, a Viver a Vida Vivos.
O meu coração está com os familiares e amigos das cerca de 200 pessoas (neste momento 10 Fev. 09) que infelizmente estavam no sítio errado na hora errada, e por isso não se conseguiram salvar.
Este fim-de-semana (6 a 8 de Fev. 09) não foi excepção, saímos com a Autocaravana.
Fomos para sul, para os lados de Wollongong em N.S.W. Apesar de termos televisão, não demos atenção às notícias, pelo que foi com grande espanto que nos inteiramos da tragédia, no domingo à noite, quando chegamos a casa.
Daqui tirei mais uma pequena lição a qual tentarei usar nesta vida de Autocaravanista.
Ninguém pode adivinhar o que vai acontecer, mas uma ideia geral do tempo que vai fazer na zona onde iremos estar, pernoitar, etc., deve ser tomada em conta se queremos proteger a coisa mais preciosa que temos: a nossa vida.
Todas estas vítimas dos incêndios, não tiveram opção, era mesmo ali que moravam e de uma ou outra forma foram apanhadas de surpresa.
Nós que temos casas com rodas, com um pouco de sorte e alguma preparação, temos a possibilidade de, com todo o conforto, mudar de sítio e evitar o pior antes que seja tarde.
Confesso que não sei rezar, mas á minha maneira estou a pedir a Deus que neste momento ajude todas aquelas famílias que estão agora, completamente desfragmentadas, despojadas de valores e memorias, e tristemente sem vontade de viver.
Jose Rebelo.

Parques de campismo! Sim… os Parques de campismo.



Muito se tem escrito sobre estes e muito mais se poderá escrever. Eu assim espero continuar a fazê-lo.
Como qualquer outro negócio, os Parques estão desenhados de forma a fazer render o mais possível o espaço que ocupam e, desta forma, ganhar mais (muito mais) dinheiro com o mesmo.
Eu comparo os parques de campismo um pouco com o vírus do sarampo. Dizia a minha querida mãe que é uma doença obrigatória e depois já está, nunca mais volta. Neste caso nós é que temos mesmo que voltar...os parques são para mim uma doença obrigatória pelo menos uma vez por semana, quando estou em férias grandes, ou seja, umas quatro vezes num mes.
Com crianças e extra membro da família (a minha querida cunhada Sandra) a viajar na Autocaravana, não tarda muito que os montões de roupa suja tomem conta dos espaços habitacionais dentro desta nossa viatura, e a família (como se de doninhas se tratasse) se identifique ao longe pelo odor.
Quando chega a altura (obrigatória) de ir passar uma noite a um parque de campismo, os sintomas são basicamente os mesmos que o dito sarampo: só de me lembrar quanto vou pagar entro em estado febril; já no acto de pagamento, fico vermelho e com bastante dificuldade em engolir (o preço), a assinatura do talão do cartão de crédito sai tremida e a minha conta bancária entra em estado de alerta máximo (vermelha e aos papos).
Estávamos há já duas semanas em férias e a ideia de eu ter que usar roupa interior fora de prazo tornou-se assustadora. Perante a promessa da minha querida esposa de que caso tivesse onde ligar o secador de cabelo ficava toda bonita...eu nem pensei duas vezes. Como capitão absoluto desta Autocaravana decidi, sob ameaça, que estava na altura de ir experimentar altos níveis de adrenalina. Sim, decidi entrar num Parque de campismo…
Chegámos ao Parque de Campismo da terrinha...logo ali à frente uma entrada que impressiona qualquer um: muitas flores, em frente à recepção um grande parque para crianças, e mesmo ao lado uma piscina, não muito grande mas que tinha uma coisa essencial a qualquer piscina: água.
Em grande destaque estavam também como que expostas, as mais lindas e mais novas caravanas que há no mercado e, do lado oposto, encontram-se as chamadas cabines que o parque aluga, tudo muito bonito, limpo e bem estimado e muito relvado.
Ficou de imediato decidido (pelas minhas duas filhas) que entravamos, custasse o que custasse.
Estaciono a Autocaravana na linha de “recenseamento” (última oportunidade para mudar de ideias) e antes de puxar o travão de mão (desta vez não me esqueci) já a minha filha mais nova estava a abrir a porta do habitáculo para ir a correr para o parque das crianças.
Subi as escadas para a recepção e como já cheguei depois da hora de trabalho (eram por volta das seis da tarde), carreguei no intercomunicador aparecendo de imediato a dona do Parque com um sorriso límpido o qual transmitia o pensamento: “estava a ver que não enchia o parque hoje”.
- Tem lugar para uma Autocaravana de sete metros (com as bicicletas atrás são oito, mas isso são detalhes) três adultos e duas crianças? - pergunto eu.
- Para quantas noites? - pergunta a dona
- Apenas uma. - respondo eu...!
O mundo pára por uns momentos, ela olha para mim agora com o sorriso diminuído em cerca de 20 por cento e continua...
- Acho que ainda temos um...
(Engraçado, por pura coincidência, em todos os Parques me acontece o mesmo; é sempre o último lugar. Nunca entendo como é que depois entram outros que eu sei ser a primeira noite que ali estão.)
Continuando...
- Quanto custa? - pergunto eu.
Ela olha para os rabiscos que tem no calendário que estiver ali na sua secretária e depois de dar o tempo que seria necessário para pensar (para parecer mais real) responde os números que ela já tinha na cabeça desde o momento que eu disse 5 pessoas;
- 70 Dólares. - disse ela...
Os sintomas febris apoderam-se da minha pessoa e quem não consegue sorrir agora sou eu.
Bem, lá terá que ser e eu digo:
- Ok, ficamos por uma noite.
Ela a sonhar sempre com pessoas que queiram ficar uma semana ou mais no Parque e está ali a perder tempo comigo por apenas uma noite mas, lá terá de ser, faz parte do negócio.
- Nome - pergunta ela.
Eu já nem tento explicar ou soletrar. Vou à carteira e mostro o cartão de sócio do clube Australiano de Autocaravanismo onde ela pode copiar o meu nome.
Como sempre me acontece ela também fica a olhar incrédula para as cinco palavras que compõem o meu nome.
Australiano que se preze tem dois nomes; o primeiro nome e o último pelo que devem achar um desperdício eu ter um nome que no caso deles teria sido suficiente para três membros da família!
Bem, ao mostrar o cartão estou a dizer que vivo na Austrália e lá se vão mais 25 por cento do sorriso, pela razão de que se eu fosse turista ela apenas teria de escrever o País de origem, receber o graveto e Xau! No meu caso a história é mais complicada, ela terá que escrever tudo: morada número de telefone, idade, género, etc, etc.
Mas nem tudo está perdido (para azar meu, e sorte dela…).
- Este cartão de sócio também me dá direito a desconto aqui neste parque? - pergunto eu.
E ela agora com 30 por cento do sorriso de volta à sua face responde (sem espinhas):
- NÃO!
Conformado com o resultado tento então entender o que ela, com uma caneta de feltro, esborrata no mapa do Parque:
- Aqui ficam as casas de banho, aqui a lavandaria, mas também pode usar isto, isto e isto.
Bem, por esta altura já estou completamente baralhado e vem então a parte mais importante:
- Estamos aqui e você entra aqui e vai por aqui e por ali e...
Agora o mapa parece um desenho da minha filha quando tinha um ano de idade.
- Ok. - digo eu, e ela entrega-me um código para entrar no Parque e a chave para a casa de banho.
Saio da recepção mais nervoso do que no dia em que fiz o exame da quarta classe...
Olho para dentro da Autocaravana e vejo a minha querida esposa e não menos querida cunhada, sentadas no banco da frente com uma cara de: Será menino ou menina?
- Então foi caro? - pergunta a minha esposa.
- Não, 50 dólares – respondo eu (mentir é feio mas mantém casamentos).
- Meu Deus, isto é que é roubar. - diz a minha querida esposa.
Passo para as mãos da minha querida esposa o dito mapa. Ela por sua vez dá umas quantas olhadelas e eu, ao ver que ela o tem ao contrário (não sei porque insisto), retiro gentilmente o mapa das suas mãos com o pretexto de que quero lá ver qualquer coisa.
Dou à chave e alinho a viatura de forma a não ter que sair para introduzir o código. Com os pés fincados no volante tento chegar aos botões que estão a uma altura apenas boa para carros normais.
Depois de várias tentativas, lá consegui a proeza de correctamente introduzir o código e, como que por magia, o pau (aquele ferro com um peso numa das partes) lá se levantou e entrámos.
Orgulhoso de ir a conduzir uma Autocaravana, último modelo, grande e bonita, com todo o aspecto de que sou um ricaço, lá entrei Parque adentro a 5Km/h onde a primeira velocidade só se aguenta com a embraiagem a meio. Esta é a única velocidade permitida o que tem, no entanto, as suas vantagens. Toda a gente vê a minha mais preciosa aquisição e principalmente a minha pessoa ao volante.
Fui colocado (de acordo com o mapa) mesmo ao fundo do Parque, e lá vou eu no meu pedestal (tipo carro papal) só me faltando acenar às pessoas que neste momento já paravam para admirar a minha Autocaravana.
Como bom condutor que sou, e agora já quase a meio do meu percurso, dou uma espiada (olhadela em português) aos espelhos retrovisores... Meto automaticamente o pé ao travão (coisa que não se faz numa Autocravana), e bananas, livros, máquinas fotográficas, etc., rolam no chão...e isto porquê? Perguntam vocês.
No espelho retrovisor vejo a cara desesperada da minha filha mais nova a correr atrás da Autocaravana, provavelmente a pensar que estava a ser abandonada pela própria família.
Foi uma risota interminável! Não queríamos crer que todos se tivessem esquecido da pobre alma no parque das crianças. Eu até mencionei que sem dúvida era uma óptima ideia para um dia que eu esteja farto da companhia da minha esposa, fazer algo do género...Deixá-la num Parque, num sitio bem remoto e sair sozinho, de fininho, com a Autocaravana, rumo à liberdade...claro que ela não achou piada nenhuma.
Agora, e com a família completa, lá continuei Parque adentro.
Para trás ficaram as instalações impecáveis com casas de banho de sonho e muito perto do espaço que me fora atribuído, vejo as casas de banho que me estão destinadas, construídas com certeza, aquando da abertura do parque há cerca de 50 anos.
Seguindo o mapa, estou agora a ir por caminhos (nunca antes por uma Autocaravana tão alta percorridos) os quais requerem a preciosa ajuda da minha querida esposa, que tem de sair para se certificar de que não terminamos as férias com uma Autocaravana descapotável.
Por fim, chegámos (após 4 minutos) ao sítio...
- Será aqui? - pergunto eu
- Não sei… não vejo nenhum número! - diz a minha querida esposa.
- A mim parece-me ser aqui, aliás não vejo mais espaço nenhum... Mas tem lá um todo-o-terreno estacionado... Digo eu.
Acelerei o motor na esperança que o dono aparecesse e...aí vem ele, um tipo que mal chega aos pedais, com um carro daquele tamanho…
Os Parques de Campismo, no sentido de rentabilizar o espaço disponível não levam em conta extras tais como o carro que transporta a tenda ou a caravana, e então a malta vê-se obrigada a ocupar o espaço alheio, ora com um carro, ora com uma piscina de plástico para os miúdos.
Ele lá mudou o carro para o seu espaço, e como se de uma cabra montesa se tratasse, colocou o grande veículo num pedacinho de terreno que tinha entre a sua tenda e a bordinha da estrada.
Eu, por minha vez, tive de fazer contas de cabeça pois, conforme o pedido, o espaço destinava-se a uma Autocaravana de sete metros de comprimento e a minha, “vergonhosamente”, tem oito e tal...
Bem, para trás e para a frente, num sitio onde até um carro teria dificuldades em fazer manobra, tive a oportunidade de ver a cara a dois ou três vizinhos que por esta altura já receavam ver as tendas agarradas ao meu suporte das bicicletas.
Tudo correu bem. Esteticamente uma Autocaravana atravessada num lugar não fica lá muito bem mas, desta forma, apenas ficava com 10 cm da mesma no meio da rua, o que já era aceitável.
O meu lugar, não sei porquê, não era relvado como aqueles que eu vi à entrada; era de areia fina, daquela que insiste em enfiar-se nos recantos mais inacessíveis da Autocaravana por um bom par de meses. As chaves, destinadas às casas de banho, não cabiam na respectiva fechadura, por isso ainda estou para saber de onde eram. Foram entregues à dona do Parque no dia seguinte, com a respectiva reclamação e um pedido de desculpa como resposta.
Enquanto tivemos moedas fomos, noite fora, lavando e secando roupa.
No dia seguinte, e para minha grande alegria, descobri que lá para o meio do Parque, e ao contrário de todos os outros onde tenho estado, havia onde despejar a cassete da sanita.
Para não ir (tipo estivador) com aquela “caca” (vulgo, cassete) às costas, e como estava de saída, conduzi a Autocaravana até ao dito “sítio”. Ora bem... isto de despejar a cassete da sanita não é propriamente algo de que eu goste de falar... No entanto é uma realidade que faz parte desta maravilhosa vida de ser Autocaravanista. Vai daí que, há muito tempo me interrogo: “Porque será que estas estruturas (de despejo do “pote”) são estrategicamente colocadas em zonas de obrigatória passagem, ou bem visível a todos os que estão acampados nas redondezas?
Para despejar o “conteúdo”, um homem (as mulheres é que não se metem nisto) tem que abrir as pernas para manter equilíbrio (não deixando cair nada nos dedos dos pés) e debruçar-se em balanço numa posição bastante comprometedora (pelo menos aqui na Austrália) e bastante reveladora das partes traseiras dum homem - isto para quem estiver a ver por trás.
E, como se tal não chegasse, o orifício (um mísero cano ao alto) onde é suposto introduzir o conteúdo em causa, fica numa posição tão afastada que, a primeira parte dos “líquidos”, nunca cai dentro, sendo depois necessária uma mangueira e muita perícia para conduzir “aquilo” para o buraco.
E lembrem-se, isto tudo perante os olhos daqueles que não sabem o que é que eu estou ali a fazer e que por esta altura estão com cara de quem comeu um limão amargo. Espero ter dado a ideia...
Eu digo!... Porque não vender bilhetes para estas sessões de despejo, e de cada vez que alguém for tratar deste assunto, anunciar nos megafones o que vai acontecer para que assim mais pessoas possam assistir.
Parques de Campismo são como as mulheres: não se consegue viver com elas, e não se consegue viver sem elas...
José Rebelo (um homem com coragem para dizer o que pensa, e para isso tem a licença da sua querida esposa).

Autocaravanismo em família (alargada)



É engraçado como as pessoas são diferentes, as opiniões diferem e os motivos que desenham um sorriso no rosto são igualmente únicos de pessoa para pessoa.
Tenho vindo a confirmar que isto acontece mesmo quando as pessoas estão a partilhar os mesmos momentos e, no nosso caso, a mesma Autocaravana.
Como é obvio, viajar numa Autocaravana implica que se partilhe basicamente tudo, excepção será dada normalmente à roupa interior e sempre que possível apenas uma pessoa de cada vez na casa de banho...
A lotação normal da minha Autocaravana e de quatro pessoas: eu, a minha querida esposa e as minhas duas filhas com 7 e 8 anos de idade.
Este ano, e mais propriamente nestas nossas chamadas “férias grandes”, tivemos a notícia de que estas iriam ser um pouco diferentes dos outros anos pois a minha cunhada Sandra, a irmã mais nova e mais solteira das irmãs da minha esposa, viria passar as ferias connosco aqui na Austrália.
E assim aconteceu. Faz agora duas semanas que estamos a viajar por esta Austrália fora em férias, na nossa querida Autocaravana e, dentro dela, além da população normal, a nossa não menos querida Sandra.
Tudo corre normalmente, e eu rapidamente me habituo aos pequenos percalços de ter uma escova de dentes que não conheço na casa de banho e, no sítio onde eu tinha algumas camisolas estão agora soutiens que nunca tinha visto antes. O cúmulo foi no dia em que paramos num parque de campismo e aproveitamos para lavar a roupa.
Eu tive de agir como se de uma normalidade se trata-se o facto de no meio das minha meias pretas e camisolas de homem sujas, ter exposto sem querer perante todas as mulheres que estavam ao meu lado, um fio dental de renda cor-de-rosa.
Perante aquela inesperada situação, o mundo parou sensivelmente durante 2 segundos, tempo que eu necessitei para decidir o que fazer com “aquilo”.
As calcinhas mudaram de cor ao ver a minha cara de envergonhado, e eu num gesto de quem está a controlar a situação larguei, ou antes, arremessei para dentro da máquina de lavar roupa, a dita peça como se de um bicho que pica se trata-se. Até á data não sei qual a razão para se lavar uma peça de roupa que não cobre mais que dois cêntimos quadrados do corpo, e incluído nessas medidas estão apenas alguns escassos metros de fio; tudo o resto são buracos aos quais as mulheres chamam renda.
Todos aqueles que andam nesta vida sabem que não se pode ter tudo na autocaravana e por vezes uma pessoa tem que se desenrascar com o que tem. Foi isso que me aconteceu neste dia. As testemunhas desta minha aventura não se mostraram nada admiradas com tudo que se estava a passar e realmente só entraram em estado de pensamento profundo quando me viram a deitar para dentro da máquina de lavar roupa champô de cabelo para ser usado como detergente. Tal como disse, nem sempre se pode ter tudo, e desta vez faltava o pó para a máquina.
Não sei como é que acontece mas, (e voltando ao principio desta historia) as alegrias e prazeres de andar numa autocaravana são diferentes para todos.
As minhas filhas ficam maravilhadas quando eu estaciono junto a um parque de crianças; logo a seguir, e sem perder tempo, a minha mulher e a sua querida irmã esboçam um sorriso de orelha a orelha, pois por um lado paramos de viajar, e por outro há ali mesmo ao lado uma praia para a qual (e sem olhar para trás) elas logo se dirigem.
Abandonado pela própria Família dou comigo a fechar o castelo, e como todos estamos de férias, todos temos o direito de ser felizes e relaxar, então eu logo sem perder tempo vou à procura daquilo que neste momento me faz mais feliz:
Encontrar onde possivelmente poderei despejar as duas cassetes da sanita que normalmente estão cheias, e para felicidade total encontrar uma torneira que poderei usar para encher os meus, agora muito magros, tanques de água.
Tenho dias que consigo atingir a felicidade total, outros que nem tanto mas, e sem excepção, tenho sempre o apoio desta minha querida família que tanto me ama e tanto se preocupa comigo.
Assim que termino as minhas funções de (tentar) ser feliz, também eu me dirijo para a praia, mas normalmente por esta altura a minha malta já vem a meio do caminho porque não lhes apetece estar lá mais tempo, e vêem de encontro á minha pessoa sempre com a intenção de me confortarem.
E é isso exactamente que fazem, na forma das seguintes palavras:
“És um choco e estás a ficar velho... Agora já nem à praia vais!”
Sou um pai de família (Feliz).