Autocaravanismo em família (alargada)



É engraçado como as pessoas são diferentes, as opiniões diferem e os motivos que desenham um sorriso no rosto são igualmente únicos de pessoa para pessoa.
Tenho vindo a confirmar que isto acontece mesmo quando as pessoas estão a partilhar os mesmos momentos e, no nosso caso, a mesma Autocaravana.
Como é obvio, viajar numa Autocaravana implica que se partilhe basicamente tudo, excepção será dada normalmente à roupa interior e sempre que possível apenas uma pessoa de cada vez na casa de banho...
A lotação normal da minha Autocaravana e de quatro pessoas: eu, a minha querida esposa e as minhas duas filhas com 7 e 8 anos de idade.
Este ano, e mais propriamente nestas nossas chamadas “férias grandes”, tivemos a notícia de que estas iriam ser um pouco diferentes dos outros anos pois a minha cunhada Sandra, a irmã mais nova e mais solteira das irmãs da minha esposa, viria passar as ferias connosco aqui na Austrália.
E assim aconteceu. Faz agora duas semanas que estamos a viajar por esta Austrália fora em férias, na nossa querida Autocaravana e, dentro dela, além da população normal, a nossa não menos querida Sandra.
Tudo corre normalmente, e eu rapidamente me habituo aos pequenos percalços de ter uma escova de dentes que não conheço na casa de banho e, no sítio onde eu tinha algumas camisolas estão agora soutiens que nunca tinha visto antes. O cúmulo foi no dia em que paramos num parque de campismo e aproveitamos para lavar a roupa.
Eu tive de agir como se de uma normalidade se trata-se o facto de no meio das minha meias pretas e camisolas de homem sujas, ter exposto sem querer perante todas as mulheres que estavam ao meu lado, um fio dental de renda cor-de-rosa.
Perante aquela inesperada situação, o mundo parou sensivelmente durante 2 segundos, tempo que eu necessitei para decidir o que fazer com “aquilo”.
As calcinhas mudaram de cor ao ver a minha cara de envergonhado, e eu num gesto de quem está a controlar a situação larguei, ou antes, arremessei para dentro da máquina de lavar roupa, a dita peça como se de um bicho que pica se trata-se. Até á data não sei qual a razão para se lavar uma peça de roupa que não cobre mais que dois cêntimos quadrados do corpo, e incluído nessas medidas estão apenas alguns escassos metros de fio; tudo o resto são buracos aos quais as mulheres chamam renda.
Todos aqueles que andam nesta vida sabem que não se pode ter tudo na autocaravana e por vezes uma pessoa tem que se desenrascar com o que tem. Foi isso que me aconteceu neste dia. As testemunhas desta minha aventura não se mostraram nada admiradas com tudo que se estava a passar e realmente só entraram em estado de pensamento profundo quando me viram a deitar para dentro da máquina de lavar roupa champô de cabelo para ser usado como detergente. Tal como disse, nem sempre se pode ter tudo, e desta vez faltava o pó para a máquina.
Não sei como é que acontece mas, (e voltando ao principio desta historia) as alegrias e prazeres de andar numa autocaravana são diferentes para todos.
As minhas filhas ficam maravilhadas quando eu estaciono junto a um parque de crianças; logo a seguir, e sem perder tempo, a minha mulher e a sua querida irmã esboçam um sorriso de orelha a orelha, pois por um lado paramos de viajar, e por outro há ali mesmo ao lado uma praia para a qual (e sem olhar para trás) elas logo se dirigem.
Abandonado pela própria Família dou comigo a fechar o castelo, e como todos estamos de férias, todos temos o direito de ser felizes e relaxar, então eu logo sem perder tempo vou à procura daquilo que neste momento me faz mais feliz:
Encontrar onde possivelmente poderei despejar as duas cassetes da sanita que normalmente estão cheias, e para felicidade total encontrar uma torneira que poderei usar para encher os meus, agora muito magros, tanques de água.
Tenho dias que consigo atingir a felicidade total, outros que nem tanto mas, e sem excepção, tenho sempre o apoio desta minha querida família que tanto me ama e tanto se preocupa comigo.
Assim que termino as minhas funções de (tentar) ser feliz, também eu me dirijo para a praia, mas normalmente por esta altura a minha malta já vem a meio do caminho porque não lhes apetece estar lá mais tempo, e vêem de encontro á minha pessoa sempre com a intenção de me confortarem.
E é isso exactamente que fazem, na forma das seguintes palavras:
“És um choco e estás a ficar velho... Agora já nem à praia vais!”
Sou um pai de família (Feliz).

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